Uma história de amor para o dia de S. Valentim

O mal-amado Poliéster

Inventado “oficialmente” em 1929, presente no mercado nos anos 50, desconsiderado/desprezado nos anos 70, principalmente pelos mais jovens (considerado um material “pobre” e para pessoas mais velhas/idosas), recuperado nos anos 80, em parte devido ao boost que lhe foi dado por alguns designers, nas suas criações (como Calvin Klein ou Oscar de La Renta), o poliéster assume, a partir do ano 2000, um protagonismo nunca antes visto, no fabrico de vestuário, chegando ao presente até com variantes ecológicas/para amigos do ambiente _ poliéster PET reciclado (de garrafas de refrigerante).

A experiência que adquiri com o comércio de roupa vintage deu-me uma nova ideia de/sobre como muitas pessoas reagem (mal) ao poliéster, quando se trata de comprar/verificar a composição de uma peça; este “ódio” ao material era para mim até então uma atitude de rejeição desconhecida, para mim que sempre o apreciei e usei.

Acredito que, para os/as mais sensíveis a fibras sintéticas, esta fibra possa não ser um “amor de trazer no corpo”, quer por razões alérgicas, quer por razões de transpiração ou odores e que a questão “qual a composição?” se apresente como uma preocupação real, no momento da compra. Mas adivinho, suspeito ou invento (posso tudo isso aqui! :) que, para muitos outros, a mesma questão (com consequente rejeição da peça) se prenda com uma qualquer “tendência” de moda, em que uns são arrastados por preocupações ecológicas mais abrangentes e/ou insuficientemente esclarecidas, e outros por atitudes elitistas herdadas dos anos 70 sobre a tal “pobreza” deste material, contraposto à seda, ao linho ou ao algodão, esses sim, segundo os mesmos, de uma “dignidade” inquestionável.


Quanto às questões ambientais, não deveríamos antecipar desde logo que somos menos Thunberg (aka Greta) e mais destruidores por consumirmos poliéster:

- por um lado, porque no Vintage as preocupações ecológicas resolvem-se de per se, visto tratar-se de reciclagem_ estamos a diminuir o impacto da pegada ecológica da indústria têxtil, SEJA QUAL FOR a peça ou o material. Não contribuímos mais ou menos para a sustentabilidade da compra ao preterir um material em favor de outro, porque em comércio de segunda mão reutilizamos, logo, não incitamos à produção.


- por outro lado, se comparado com materiais como o algodão, mesmo em termos de produção, aquilo que o poliéster acrescenta em produção de carbono, por exemplo (o dobro, comparado com uma peça similar de algodão) diminui enormemente em consumo relativo de água ( 2700 L para o algodão, se falarmos numa T.shirt, contra 20 L para o poliéster), por isso estas questões não são de resposta simples (sempre pela negativa, porque falamos de impacto negativo em ambos os casos, reciclar será sempre melhor :)


Quanto ao “preconceito instalado” no consumo deste material, ou a uma atitude de castas ou classe sociais para os materiais, dos quais resulta que o poliéster seria “o povo”, como sou amante não secreta desta fibra acho pouco inteligente (posso achar :) que não se “ame” quem tanto nos facilita os dias: fácil lavagem, secagem rápida, sem necessidade (quase) de ferro (o que também é ecologicamente interessante), totalmente reciclável e resistente/durável!

Por isso, amigos/as da fashion industry mas também do ambiente, a não ser pela vossa pele, tacto e/ou conforto corporal ou sensibilidades específicas a esta fibra, a próxima vez que perguntarem (a nós ou em pensamento :) “Qual é a composição?” questionem o objectivo com que fizeram a pergunta.

Tenham um bom dia de S. Valentim, vestindo poliéster ou não <3


(peças vendidas pela Mão Esquerda aqui)


EN


A love story for Valentine’s day

The unloved polyester


“Officially invented” in 1929, present on the market in the 50′s, disregarded / despised in the 70′s, mainly by the youngest (considered a “poor” material and for older people’s use), recovered in the 80′s, partly due to boost given to it by some designers, in their creations (like Calvin Klein or Oscar de La Renta), polyester assumes, since the year 2000, a relevance never seen before, in the manufacture of clothing, reaching the present even with variants ecological / environmentally friendly _ recycled PET (from soft drink bottles).

The experience I acquired with the vintage clothing trade gave me a new idea of how many people react (badly) to polyester, when it comes to buying / checking the composition of a piece; this “hatred” of the material was, until then, an attitude of unknown rejection, for me, being someone who always liked and wear it.

I believe that, for the most sensitive to synthetic fibers, this fiber may not be a “love to bring in the body”, either for allergic reasons, or reasons of perspiration or odors, and that the question “what is the composition?” presents itself as a real concern at the time of purchase. But I guess or suspect (I can guess or suspect, can I ?! :) that, for many others, the same issue (with consequent rejection of the piece) is related to some fashion “trend”, in which some are dragged by more ecological concerns, too vague and / or insufficiently clarified, as well as some elitist attitudes inherited from the 70s, regarding the “poverty” of this material, as opposed to silk, linen or cotton, which, according to them, have an unquestionable “dignity”.

As for environmental issues, we should not anticipate that we are less Thunberg (aka Greta) and more destructive for consuming polyester:

- first, because in Vintage, ecological concerns are resolved per se, since it is a matter of recycling_ we are reducing the impact of the textile industry’s ecological footprint, WHATEVER the piece or material. We do not contribute more or less to the sustainability of purchase by neglecting one material in favor of another, because in second-hand trade we reuse, so we do not encourage production.

- second, compared to materials such as cotton, in terms of production, what polyester adds in carbon production, for example (twice as much, compared to a similar piece of cotton) decreases enormously in water consumption (2700 L for cotton, if we talk about a T.shirt, against 20 L for polyester), so these questions are not easy to answer (always in the negative, because we talk about negative impact in both cases, recycling/reusing will always be better :)

As for the “prejudice installed” in the consumption of this material, or an attitude of “social classes for materials”,where polyester would necessarily br “the people”, as a “not secret lover” of this fiber I defend that it is not very smart (I can think whatever I want : ) for us not to “love” those who make our days so much easier: easy washing, quick drying, without (almost) iron (which is also ecologically interesting), totally recyclable and resistant / durable!

So, friends of the fashion industry but also of the environment, except for your skin, touch and / or body comfort or specific sensitivities to this fiber, the next time you ask (us or in thought :) “What is the composition? ” please also question the purpose for which you asked this question.

Have a nice Valentine’s Day, wearing polyester or not <3


#dicasdeblog #WixBlog

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